domingo, 30 de setembro de 2007

A origem do Yôga


O Yôga


Ao iniciar esta página é fundamental afirmar que, ao falarmos YÔGA, precisamos saber o que estamos querendo dizer com isso, para não partirmos de premissas falsas ou incorretas.

Isso nos levaria, inevitavelmente, a discussões irrelevantes e a conclusões inconseqüentes, distorcidas e deturpadas.

É necessário varrermos da nossa mente todos os esteriótipos e condicionamentos a respeito do assunto. Para entender o YÔGA é preciso conhecer as suas verdadeiras origens e suas raízes mais profundas.


Localização de Índia e Paquistão no continente asiático


Região do Vale do Indo


Mapa ampliado da Índia - Vale do Indo a noroeste


É necessário conhecer o suficiente sobre o povo Drávida, sobre a civilização Harappiana, ultra desenvolvida, instalada na região do Vale do Indo numa vasta área geográfica à noroeste da Índia, há pelo menos 5.000 anos atrás.


Cidade de civilização ultra-desenvolvida descoberta em escavações arqueológicas recentes.

Quanto mais escavam, outras civilizações ainda mais desenvolvidas vão surgindo.



Vale do Indo - mostrando a localização das cidades de: Harappá, Mohenjo Daro e Lôthal


Clique nas fotos para passear pelas cidades





Vista geral da ancestral cidade portuária de Lôthal



É necessário conhecer toda a história, a trajetória do YÔGA até os dias de hoje e as deturpações e alterações que sofreu ao longo dessa jornada.

Precisamos perceber sua relação natural com o SÁMKHYA (filosofia teórica) e com o TANTRA (filosofia comportamental). E como ele, o YÔGA, se insere como filosofia prática.

Precisamos entender o que designa o termo Hinduísmo, que não é uma religião e sim um conjunto de preceitos éticos, jurídicos, históricos, filosóficos e artísticos. Que ele tem duas fases: uma mais antiga e outra posterior sendo que a mais antiga consiste na tradição oral de Mestre a discípulo ou, ainda, através do conhecimento adquirido por via direta, de dentro de si mesmo.

Precisamos entender o que é o Vêdánta e quando surgiu.

Entender o que é um sistema Brahmácharya de comportamento patriarcal, anti-sensorial e repressor.

E saber que o SÁMKHYA e o YÔGA são as duas tradições mais antigas da Índia as quais a princípio, pertenciam exclusivamente à cultura dravídica e que só bem mais tarde foram anexadas ao Hinduísmo.

Entender que o SÁMKHYA é um sistema filosófico naturalista totalmente especulativo baseado na discriminação entre o Púrusha (a chispa que habita no homem, que é o próprio homem no auge de sua consciência) e à Prakrití (a Natureza). Ele não comporta nenhum tipo de misticismo e não se baseia na fé.

Compreender que o YÔGA é completamente prático, não tem teoria alguma, não comporta crença de espécia alguma e, mais que os outros sistemas, baseia-se na tradição oral.

E saber que o chamado Yôga Clássico foi resultado de uma deturpação de natureza política e étnica imposta pelos áryas, guerreiros sub-bárbaros sem nenhuma cultura filosófica, artística nem científica após a invasão a que submeteram a Índia e seu povo em 1500 a.C., aproximadamente.

Saber que Pátañjali foi o codificador desse Yôga Clássico mais ou menos em 300 a.C. e que, portanto, Não é o Pai do Yôga, nem o seu criador (aliás, nem teve essa pretensão).

Além desses sistemas precisamos ainda saber e abordar a questão do TANTRA ou TANTRIKA que é uma filosofia comportamental onde, na sua clareza fundamental, não existe censura nem sentimento de culpa. É originária do período dravídico ou pré-dravídico. A cultura tântrica original (matriarcal) é, talvez, a única desse tipo no mundo a demonstrar que a evolução do Ser humano ocorre através da desrepressão e do prazer de viver contrário a tudo que se pregou sobre a necessidade do sofrimento e a repressão dos sentidos para se evoluir.

A afinidade do SÁMKHYA é com o TANTRA como ocorre com o YÔGA PRÉ-CLÁSSICO, Original e Antigo, anterior aos Vêdas. No SÁMKHYA (naturalista) diferente do VÊDÁNTA (espiritualista) será pela analogia e observação da Natureza e, mais ainda, a partir do estado de consciência intuicional que poderemos compreender os vários níveis do Universo. Todavia, essa compreensão está acima do atual estágio da humanidade em geral. Assim, chega-se numa divisa onde o SÁMKHYA termina e acontece e principia o YÔGA, pois o SÁMKHYA termina na especulação e nas teorias explicativas da existência que ficariam estéreis se não fosse a PRÁTICA DO YÔGA.

Quanto à tradição tântrica, ela já existia milênios antes de ser registrada em livros ou documentos escritos, entre os séculos IV d.C. e VIII d.C. Por isso, muitos falam do TANTRA como tendo nascido durante esse período e com as características desse período. Dessa forma, como ocorre com o YÔGA e com o SÁMKHYA, existe um tipo de TANTRA do período pré-clássico, dravídico, um outro clássico adaptado aos costumes arianos (patriarcais, repressores, anti-sensoriais e dominadores) e um outro TANTRA medieval que produziu toda a literatura que chegou aos dias atuais, muito influenciado pela Filosofia Vêdánta (espiritualista, quase religiosa). O TANTRA diz respeito a um padrão comportamental que foi marginalizado e, após as invasões dos áryas na Índia a maneira de viver dos drávidas foi condenada.

As afinidades e não afinidades entre tudo isso nos mostram o caráter libertário do YÔGA autêntico, filosofia prática rumo ao autoconhecimento, ao auge da evolução humana e a sua conseqüente expressão em todos os níveis da nossa existência.

O YÔGA autêntico é o mais antigo que está em sintonia e afinidade com o SÁMKHYA primordial e com o comportamento tântrico original, onde nenhum tipo de imposição e deturpação havia ocorrido.

Mesmo hoje, que o YÔGA está mais divulgado, grande parte do que se encontra em livros não faz parte do seu contexto autêntico e legítimo. O YÔGA autêntico é algo que pode ser expressado na atualidade indicando a tendência comportamental do futuro.

1. Como localizar tudo isso em nós mesmos nos dias correntes?
2. Como discernir as bases de comportamento, as estirpes nas quais nos inserimos no mundo atual?
3. Como nos emanciparmos e nos libertarmos, COM PLENA CONSCIÊNCIA, de todas as leis morais, sociais ou religiosas exclusivamente pelo esforço e fluir de si mesmo?
4. E obter a integração consigo mesmo, com a Natureza e o Universo através da lucidez plena em todos os níveis: físico, emocional, mental, intuicional e mais adiante ainda?

Hoje, em um mundo ainda dominado, em grande escala, pela força bruta de um patriarcalismo repressor que o mantém, ainda, num regime de medo, pecado, culpa e violência que gera todo tipo de fanatismos, intolerâncias, perseguições, segregações, conceitos e preconceitos de todo tipo, RESSURGE, após um longo percurso de contínuas distorções, o YÔGA ANTIGO sistematizado e codificado numa oitava acima e à frente na espiral da escala do tempo e do espaço expressando-se criativamente na arte filosófica de viver de uma forma plena e luminosa.

É olhar o mais ancestral e perceber a vanguarda mostrando a simultaneidade plena de tudo.
Concluindo, é a partir de pelo menos disso que está escrito, que poderemos começar a falar do assunto YÔGA, aprofundá-lo (pois o assunto é vastíssimo) e... PRATICAR.




Na próxima postagem acrescentaremos mais alguns dados históricos muito importantes que são abordados de forma equivocada em muitos setores e obras sobre o assunto.
Precisamos ficar atentos às pessoas e aos livros os quais eu chamo "de citações", livros estes que apenas repetem afirmações sem terem os seus respectivos autores conhecimento correto sobre o que estão dizendo. Ou seja, leram e repetiram, mas não pesquisaram e nem vivenciaram o assunto no seu fundamento ocasionando as deturpações atuais e mitos hoje arraigados.
Breve começaremos a abordagem sobre a parte técnica e o encadeamento correto entre elas para que possamos nos desenvolver de uma forma ampla e verdadeiramente segura.

Vários selos em relevo com referências às práticas do Yôga foram e continuam sendo encontrados nestas escavações. Clique no selo com a figura do yôgi para ver mais sobre estes trabalhos arqueológicos.



A todos, muita LUCIDEZ !!!

sábado, 29 de setembro de 2007

O desenvolvimento da história do Yôga

Dando continuidade à postagem anterior são necessários, ainda, mais alguns esclarecimentos para tornar claro este vasto assunto ainda tão pouco conhecido e tão distorcido pela maioria.

  • Foi dentro do contexto dessa civilização harappiana que viveu Rudra (Shiva) considerado o patrono do tantrismo e o criador do Yôga.


  • Como comprova a arqueologia ele é um personagem pré-ariano e sua presença afirma e prova a existência do Yôga nesses tempos remotos, numa sociedade tântrica (matriarcal) e sámkhya (naturalista).


  • Rudra (Shiva) foi um famoso bailarino que, em certa ocasião, improvisou intuitivamente alguns movimentos belíssimos e muito sofisticados.


  • Essa técnica de extrema beleza emocionava a todos que presenciavam sua expressividade. Assim, começaram a pedir-lhe que ensinasse sua arte.


  • No princípio o método não tinha nome. Era algo espontâneo que emanava e surgia de dentro e só ressoava no íntimo dos que haviam nascido presenteados com uma sensibilidade mais refinada.


  • Quando o Mentor passou para outros níveis, sua arte não morreu pois, alguns alunos, mantiveram-na intocável e transmitiram os ensinamentos práticos sem modificá-los em absolutamente nada.


  • Em algum momento da história essa arte ganhou o nome de Integridade, Integração, União. Em sânscrito Yôga:

  • Seu criador entrou para a mitologia com o nome de Shiva e com o título de Natarája, Rei dos Bailarinos.


  • Se o Yôga, o Tantra e o Sámkhya existiram e foram desenvolvidos por esse povo de uma admirável civilização, é aí e nessa época, que podemos e devemos identificar um ensinamento autêntico e diferenciá-lo de outros comprometidos pelo consumismo ou pela interferência de outras modalidades totalmente incompatíveis.


  • Nas esculturas e selos encontrados em Mohenjo-Daro são retratados alguns personagens que chamam a atenção e que mostram os mais importantes registros que têm relação com a existência do Yôga nesse antigo período.


  • Inúmeras imagens provenientes da civilização harappiana dizem respeito a exercícios de Yôga.


  • Uma dessas gravuras representa Pashupati, Senhor das feras. Esse desenho faz referência à Rudra, personagem harappiano que, mais adiante no hinduísmo recebe o nome de Shiva, princípio criativo masculino, um dos símbolos mais antigos e poderosos do Tantra. Seus chifres são símbolo das forças lunares e o touro seu veículo e parâmetro da energia sexual criativa. Suas três faces mostram que ele dá origem, mantém e dissolve o Universo, não existindo nenhuma dúvida que temos aí o protótipo de Shiva, exercendo a função de senhor dos animais selvagens e príncipe dos yôgis.


  • Essa revelação é uma grande contribuição para a história do Yôga. Os desenhos, estatuetas e inscrições da região do vale do rio Indo são documentações arqueológicas preciosas e precisas que, por si só, demostram a existência do Yôga na civilização harappiana.


  • Importante, necessário e fundamental é dizer, também aqui, que a valorização do aspecto feminino (Shaktí). a reverência à natureza e o caráter masculino de Shiva (o criador do Yôga) são alguns elementos da cultura ancestral que foram deixados como legado ao hinduísmo moderno, demonstrando que o Yôga coexistiu na antiguidade dentro de um contexto tântrico, ou seja, numa civilização matriarcal, sensorial e desrepressora.




Seja pelo fato das invasões, seja por causas naturais ou seja por tudo isso em conjunto o fim dessa civilização não determinou o fim do Yôga, muito pelo contrário. Apesar de influenciado pelos mais diversos grupos raciais, filosóficos, políticos ou religiosos que existiram ou continuam a existir na Índia, o Yôga foi preservado mesmo após o final da era harappiana.

  • O Tantra original e antigo, como sistema de comportamento identificador da sociedade dravídica é caracterizado pela tradição boca a ouvido, tradição secreta e transmissão oral através dos milênios e é matriarcal, sensorial e desrepressor. Uma característica marcante do Tantrismo é a diversidade enorme de rituais. Porém, quando estão associados às práticas yôgis, seguem um outro direcionamento. O que o Yôga realiza é "interiorizar" os ritos conferindo-lhes um valor novo a cada forma petrificada, readaptando-as às necessidades sempre novas do ser humano.


  • Além disso, é graças principalmente às técnicas do Yôga que o tantrismo pôde se organizar como sistema coerente, com rituais próprios que o identificam. São originários daí, entre muitas outras coisas:

Mudrá - gestos reflexológicos feitos com as mãos que abrem comportas do inconsciente coletivo.

Pújá - transmissão, circulação e retribuição ética da energia e que tem o sentido naturalista de sintonização com os arquétipos.

Mantra - vocalização de sons e ultra-sons com várias finalidades.

  • Não devemos nos esquecer que, no início, antes das deturpações que sofreu ao longo dos séculos (salvo em raros locais que mantiveram a sua pureza original) o Tantrismo era, podemos agora assim especificar, por comparação: branco (não no sentido racial) e de direita (não no sentido político). Mas isso era naturalmente intrínseco. Depois da invasão dos áryas foi deturpado.

  • Após a fase tântrica dos séculos IV d.C. a VIII d.C. é necessário ainda observar outro acontecimento no século XI d.C. com a fundação da célebre escola Kaula de tantrismo negro (não no sentido racial) por MatesyêndraNatha, surgiu logo em seguida o Hatha Yôga implantado por GôrakshaNatha, discípulo de MatesyêndraNatha. Dessa forma, dentro da história do Yôga, o Hatha é muito recente (século XI d.C). Então, não faz parte do Yôga original, nem foi sequer uma de suas ramificações. Logo não é, como alguns afirmam, um Yôga antigo e primordial.

  • Na Idade Média o Yôga recebeu outra grave deformação quando Shankarácharya, Mestre de filosofia Vêdánta, converteu a maioria da população. Este fato se refletiu pesadamente no Yôga pois, já que a maior parte dos indianos tornara-se Vêdánta, ao praticar o Yôga a opinião pública e seus líderes passaram a impôr um formato espiritualista ao Yôga que, desde as suas origens, se fundamentava na filosofia Sámkhya que era naturalista, sem qualquer tipo de mistiscismo.

  • No século XX d.C. o Yôga recebeu mais um pesado golpe pois foi descoberto pelo Ocidente que o transformou em algo utilitário e consumista. Um Yôga inautêntico, com constantes simplificações, deturpações e adaptações sem critérios, sem escrúpulos que nem vale chamar-se de Yôga a essa anomalia.

  • A questão é que muita gente sem conhecimento e vivência fala ou passa a ensinar misturando tudo: ginástica, terapias, esoterismo, zen, espiritualismo, outras linhagens, inventando várias modalidades e modismos para serem consumidas e satisfazer leigos que não tem a menor idéia do que seja o Yôga a não ser uma visão esteriotipada e falsa, uma miscelânia que de Yôga mesmo não tem nada. Não devemos esquecer que a palavra mântrica Yôga significa INTEGRIDADE. Um Yôga legítimo é fascinante de se praticar e é magnífico como filosofia de vida: dinâmico, forte e vibrante cuja finalidade é levar ao auto- conhecimento e ao auge da evolução humana.

  • Na sequência dos acontecimentos mais importantes entre o final do século XIX d.C. e início do século XX d.C. pode-se mencionar uma nova e certa influência do Tantra no Yôga desse período com o surgimento de Mestres tântricos como Rámakrishna e Aurobindo, sendo que este último inclui várias técnicas tântricas e posiciona o Tantra como sendo "um sistema Yôgi notável que é, em sua natureza, SINTÉTICO...um grande e poderoso sistema". Mas, mesmo nesses Mestres, o Tantra ainda está vinculado de alguma forma à tradição Vêdánta.

  • Em meados do século XX d.C. o Yôga foi sistematizado e codificado sendo resgatado da fonte de suas verdadeiras raízes ressurgindo em sua linhagem, em sua estirpe verdadeira, de comportamento tântrico e fundamentado no Sámkhya naturalista. Um Yôga verdadeiramente libertário ao ampliar a lucidez dos que o praticam e vivenciam realmente. O Yôga Antigo, original, numa oitava acima da espiral para expressão nesta época na qual vivemos e apontando na direção do futuro. Auto-suficiência com integração. O Yôga Ultra-Integral.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Sânscrito - algumas regras básicas

A palavra Yôga vem do sânscrito. Em caracteres dêvanágarí escreve-se assim:





= YA (curta)






= YAA => YÁ (Longa)






= YAU => YOO => YÔ (longa)







= YÔGA



Transliteração: os caracteres do sânscrito são da escrita dêvanágarí. Quando se escreve o sânscrito em caracteres latinos chama-se transliteração. Existem regras para se escrever e pronunciar esses sons das palavras.

  • Em dêvanágarí o acento (matra) é representado por um traço vertical a mais colocado depois da letra servindo para alongar a pronúncia dessa sílaba mas não a tornará necessariamente tônica. Na transliteração sendo uma letra a, u ou i o acento deve ser agudo. Sendo uma letra e ou o, deve ser circunflexo. Esse acento não ocorrerá só na transliteração para o português mas, também, para outros idiomas como para o inglês e o castelhano que nem possuem em sua ortografia o acento circunflexo.

Algumas regras básicas do sânscrito:

1. A pronúncia de alguns fonemas:

  • O fonema Ô é resultado da fusão (crase) do A com o U e por isso é sempre longo pois contém duas letras. Por convenção (na transliteração) o acento agudo é aplicado sobre as letras longas quando ocorre fusão de letras iguais (á - í - ú). O acento circunflexo é aplicado quando ocorre crase de letras diferentes: a + i = ê e a + u = ô. Por exemplo:
Sa + ishwara = Sêshwara

A + UM = ÔM

  • O acento circunflexo não é usado para fechar a pronúncia do Ô ou do Ê pois esses fonemas SÃO SEMPRE FECHADOS:

    /ÔM/ - /YÔGA/

/VÊDAS/ - /DÊVAS/

  • NÃO EXISTE, portanto, a pronúncia /Déva/ nem /Yóga/ e etc.

2. Gêneros masculino e feminino:

  • Quase todas as palavras sânscritas que na transliteração, terminam em a são masculinas. Exemplos:
Shiva, Krishna, Rama (nomes de personagens masculinos) .

O ásana, o chakra, o mantra, o Yôga.


  • Quase todas as palavras sânscritas femininas terminam em í acentuado. Exemplos:

Párvatí, Lakshmí, Kálí, Saraswatí (nomes de personagens femininos).

A dêví, a shaktí, a kundaliní, etc.


3. No sânscrito os sons do Y e do I são diferentes. O Y tem o som mais fluido e rápido e o I tem o som mais seco. No sânscrito o Y e o I têm valores fonéticos, semânticos, ortográficos e vibratórios totalmente diferentes. O I não se usa antes de vogais.

Então, como foi visto, em dêvanágarí escreve-se:

que translitera-se como: YÔGA

  • O Yôga (no masculino)

  • com Y (antes de vogal e com som mais fluido)

  • com acento circunflexo (^) e com som de Ô fechado (prolongado pois é a fusão de a + u = ô)

  • a pronúncia do som O é sempre fechada e sempre prolongada (duas vogais)
Logo: O Yôga.


Se pronunciarmos de outra forma esse som mântrico estaremos nos sintonizando com um comprimento de onda, com uma frequência vibratória e com linhagens diferentes do Yôga e não haverá identificação com essa profunda arte filosófica de viver e sim com qualquer outra coisa. Não conseguiremos sintonizar com o clichê arquivado no inconsciente coletivo ou registro akáshico.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Hindu ou indiano ?

Hindu e indiano não designa a mesma coisa.

Hindu

Hindu é o indiano que pertence à tradição cultural do hinduísmo. Não existe uma unidade cultural hindu. A Índia (Bhárata) foi o país mais invadido da história criando uma miscelânia de etnias, línguas, religiões e culturas como jamais se viu em outra nação. Falam-se aí 18 línguas oficiais, centenas de línguas não-oficiais e milhares de dialetos. Ao longo de 5.000 anos tudo isso gerou um emaranhado de tradições contraditórias. A quase totalidade dos habitantes atuais da Índia, são de linhagem comportamental brahmácharya, descendentos dos áryas e não do povo drávida, do qual se originou o Yôga. Poucos indianos entendem ou praticam o Yôga Antigo e pouquíssimos são versados em sânscrito.


Indiano

Indiano é a nacionalidade que engloba hindus, jainas, budistas, mulçumanos, sikhis, cristãos, etc.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Ramificações e Linhagens do Yôga

1. O nome completo das raízes do Yôga é:
  • Dakshinacharatantrika - (traduzindo: de linhagem tântrica, matriarcal, sensorial, desrepressora, branca e de direita).
  • Niríshwarasámkhya Yôga - (traduzindo: fundamentado na filosofia Sámkhya, naturalista, sem senhor, sem misticismo).

2. Do tronco original surgiram oito ramificações que focalizavam, cada uma, apenas um aspecto do Yôga. Surgiram na seguinte ordem:

  • Ásana Yôga
  • Rája Yôga
  • Bhakti Yôga
  • Karma Yôga
  • Jñána Yôga
  • Laya Yôga
  • Mantra Yôga
  • Tantra Yôga

O Hatha Yôga não pode constar dessa lista porque só foi surgir 4.000 depois, aproximadamente no século XI da era cristã.

Alguns autores citam sete e não oito ramificações do Yôga Antigo. Isso porque como a maioria desses autores é de linha brahmácharya omite a informação de que o Tantra Yôga foi um dos primeiros ramos e um dos mais importantes.

Além desse equívoco, a maioria dos autores ainda comete o erro crasso de citar o Hatha Yôga entre os mais antigos, o que constitui ignorância histórica.

3. O tronco do Yôga Clássico (após a invasão dos áryas) é apenas uma subdivisão de um ramo do Yôga Pré Clássico. As raízes do Yôga Clássico são:

  • Sêshwarasámkhya - (traduzindo: baseando no Sámkhya mas agora com senhor e místico)
  • Brahmácharya - (traduzindo: de linhagem guerreira, patriarcal, anti-sensorial e repressora)

4. Os dois grandes grupos em que se pode dividir cronologicamente o Yôga são:

  • Yôga Antigo, que se subdivide em Yôga Pré-Clássico e Yôga Clássico.
  • Yôga Moderno, que se subdivide em Yôga Medieval e Yôga Contemporâneo.

5. O criador do Yôga é Shiva (Rudra) que viveu há mais de 5.000 anos.

6. O codificador do Yôga Clássico foi Pátañjali, mais ou menos no século III a.C. Não é o Pai do Yôga, nem o seu criador.

7. O Yôga mais Antigo e, portanto, o verdadeiro é de linha Sámkhya e não Vêdánta. Mais precisamente da linhagem Niríshwarasámkhya.

8. O Yôga mais Antigo e, portanto, o verdadeiro é de linha Tantra e não Brahmácharya. Mais precisamente Dakshinácharatantrika.

9. O Yôga mais autêntico é, sem discussão, o mais Antigo. É o Yôga Pré-Clássico que é Pré-Vêdico e Pré-Ariano. Seu nome completo é Dakshinácharatantrika Niríshwarasámkhya Yôga.

10. O Hatha Yôga só foi criado no século XI d.C. por Gôrakshanatha e sua linhagem foi Tantra-Vêdánta da subdivisão Kaulacharyatantrika, uma variedade de tantrismo negro (não no sentido racial) atenuado.

11. As quatro linhagens do Yôga são:

  • Tantra-Sámkhya (a original)
  • Brahmácharya-Sámkhya
  • Brahmácharya-Vêdánta
  • Tantra-Vêdánta

Se antes se ajustava tão perfeita e claramente à adiantadíssima civilização harappiana ancestral, hoje integra-se à era tecnológica de forma íntegra caminhando para diante na vanguarda com toda sua força e beleza primordial.

Os quatro troncos históricos que daí decorrem são:

  • Pré-Clássico: Tantra-Sámkhya
  • Clássico: Brahmácharya-Sámkhya
  • Medieval: Brahmácharya-Vêdánta
  • Contemporâneo: Tantra-Vêdánta

Hoje está delineada uma volta às origens numa oitava acima Tantra-Sámkhya, com a codificação e sistematização do Yôga Antigo Pré-Clássico, o próprio tronco do Yôga mais completo do mundo, o Yôga Ultra-Integral. Mais para adiante iremos aprofundar esta parte.

Conclusão:

Sempre existiram na humanidade duas estirpes com duas manifestações básicas:

a) a dos guerreiros, repressores, que sempre se valeram da violência, do medo, da culpa, da hipocrisia material e/ou espiritual para impôr e manter seus privilégios. São os que invadem, usurpam, depois deturpam e passam a contar a história da sua maneira.

b) a dos libertos e libertários desrepressores. Uma estirpe ancestral que expressa uma maneira de ser e viver nobre, profunda e com uma atitude espontaneamente alegre, livre e irradiante. Auto-suficientes, porém integrados e íntegros graças à expansão da consciência que leva ao auto-conhecimento independente de raças ou nações.

É nesta última, muito mais rara, que o Yôga Autêntico se situa.

A partir da próxima postagem começaremos a falar das PRÁTICAS propriamente ditas. Suas descrições, técnicas, significados, finalidades e como devem ser executadas com perfeita segurança e atualidade.

Até breve.

Muita Lucidez !

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Sistema de Chakras, Kundaliní, Prána, Siddhis e Nádís



Como temos visto, para adquirir-se uma idéia do que é o Yôga, sua proposta e suas disciplinas, tais como: mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá, samyama (pratyáhára, dháraná, dhyána, samádhi), desenvolvimento dos chakras e kundaliní, o domínio do karma e do dharma, é imprescindível e básico conhecer a história, a etnia, a cultura e a organização da sociedade do povo que deu origem a tudo isso.
Ter conhecimento da proposta original significa acabar com as fantasias e distorções, reconhecendo as metas verdadeiras e não confundindo os meios com os fins.
Yôga é uma filosofia prática completa que aperfeiçoa o corpo e os níveis mais profundos do ser humano, trazendo criatividade, saúde, vitalidade e beleza externa e interna. Mas, isso tem uma meta muito mais ampla. Os efeitos benéficos sobre os músculos, a flexibilidade, a redução do stress e o surgimento de saúde generalizada são apenas as conseqüências colaterais. Adquirir vitalidade e aumento na expectativa de vida com maior qualidade são, na verdade, instrumentos para se obter condições biológicas e tempo suficientes para alcançar um patamar evolutivo muito adiantado, paranormalidades e, afinal, a hiperconsciência e uma megalucidez.
O método do Yôga autêntico e original consiste em acelerar o processo evolutivo proporcionando, a quem o pratica de verdade, a evolução de um milhão de anos em uma década. Todo o sistema do Yôga ancestral, de linhagem e origem Tantra-Sámkhya, fundamenta-se no conceito da kundaliní, que é patrimônio da humanidade. Tudo depende dela nos mais variados graus de atividade, seja no impulso à verticalidade do homem, a saúde corporal, as capacidades paranormais, a iluminação interior e a hiperlucidez que projeta o homem de sua mera condição de primata à meta da evolução (samádhi) em uma só vida, sem aguardar outras eventuais existências.

CHAKRAS E KUNDALINÍ

Assim como qualquer outro assunto, ao falarmos de chakras e kundaliní, precisamos saber do que estamos tratando. A ignorância, condicionamentos e deturpações a respeito são muito grandes. Este sistema de chakras que a humanidade possui, foi e ainda é em geral, pouco desenvolvido mas tem uma potencialidade enorme. Pode conduzir ao máximo da evolução humana e proporcionar uma forma de expressão plena em todos os níveis, desde que corretamente utilizado.
O verdadeiro Yôga está aí para ser praticado. Ele nos conduz à integração plena, porém com auto-suficiência e liberdade.

Os métodos repressores, nitidamente, nos tornam dependentes, desunidos e desintegrados. Será que, no corpo físico, o coração, o fígado, pulmões, rins, coluna vertebral, cérebro, sistema circulatório, etc..., estão ultrapassados e fora de lugar? Retirem uma glândula endócrina do corpo e vejam o que acontece. Harmonizem o conjunto e vejam, também, o que acontece. Desenvolvendo harmonicamente e com adequação todo o sistema e criando uma base de sustentação consistente, poderemos saltar e atingir os níveis de super e hiperlucidez. Isso nos proporcionará uma vida plena de expressão, eliminando tantos desequilíbrios, desajustes, embotamentos e trazendo, dessa maneira, a tão almejada libertação ao ser humano. Ele atingirá o ponto culminante da sua evolução. Esse é, com certeza, o sistema que o homem dispõe no momento para atingir tal objetivo. Quando se alcança um grande desenvolvimento, os códigos, hemisférios e sistemas naturalmente (e só então) se configuram para que a expressão criativa nos mais diversos níveis aconteça. Em geral, as pessoas ficam paralisadas quando submetidas a teorias, dogmas, conceitos e preconceitos de todo tipo, o que dificulta a compreensão correta do assunto. O objetivo desta postagem é esclarecer que a ativação desta energia pode e deve ser feita com critério, segurança e naturalidade.


Chakra (pronuncia-se tchakra) significa roda ou círculo e são centros de captação, armazenamento e distribuição do prána, a energia vital.
Prána é a denominação genérica dada a qualquer forma de energia manifestada biologicamente. O calor e a eletricidade são formas de prána desde que manifestadas por um ser vivo, como por exemplo: o bater de palmas das mãos. Ele é uma síntese de energia de origem solar encontrada em toda parte. O prána, considerado de uma forma ampla, subdivide-se em pránas específicos sendo que os dois mais importantes, por terem polaridades opostas, são prána e apána localizados em determinadas e específicas regiões do corpo. Quando, por intermédio de contrações (bandhas) de certos plexos, os dois pólos opostos se encontram, provocam uma faísca que é o início da ativação da kundaliní.

Os chakras são denominados de rodas ou círculos por serem vórtices de energia e, dessa maneira, circulares. Localizam-se nas confluências e ramificações das nádís. São redemoinhos como os formados nos rios sendo que os principais são representados por figuras de lótus (padmas) vistas de cima. Têm variadas quantidades de pétalas abertas, representações simbólicas das nádís primárias que começam em cada um dos chakras para fazerem a distribuição da energia para outros chakras e, também, para todo o corpo. Os chakras principais dão origem a todos os outros secundários, através da rede de vasos e canais pránicos (as nádís) e controlam toda essa rede, regulando-a. Existe uma quantidade indeterminada de centros de força secundários sendo que, somente nas palmas das mãos, existem 35 em cada uma delas.

A seguir, as representações de cada um dos chakras, começando do básico até o frontal.
O Yôga trabalha todos os chakras mas dá ênfase aos principais, posicionados no eixo vertebral, para produzir os efeitos superlativos que impulsionam o adiantamento pessoal. Além de distribuírem a energia para os demais centros que têm relação com a saúde são, também, os responsáveis pela manifestação da kundaliní e sua expressão de capacidades e poderes (siddhis).
O que se precisa é praticar e sair da mera teoria, de especulações e do porquê das coisas pois, somente a prática vai resultar num efeito concreto de desenvolvimento dos chakras. O conhecimento é necessário, todavia, o que se deve é evitar devaneios teóricos exacerbados menosprezando a prática. Prática é vivência, desenvolvimento e integração com auto-suficiência. Teoria sem prática é acomodação e dependência.
Os chakras (padmas) podem girar para a direita ou para a esquerda mas, seja para um sentido ou para o outro, todos devem girar no mesmo sentido, senão o sistema entra em completo desequilíbrio neurológico, endócrino e psíquico o que abre as comportas para todo tipo de enfermidades diagnosticáveis ou não. Negligenciar o sistema de chakras é abrir mão da própria sanidade.
O sentido de giro sinistrógiro (anti-horário) dos chakras gera força centrípeta, ou seja, de captação, favorecendo a mediunidade, a psicografia, a incorporação e determinados tipos de canalizações. O motivo é simples: na mediunidade é conveniente ser como uma antena que fica captando sinais aleatoriamente sejam ou de espíritos, ou estímulos do inconsciente ou ondas emitidas pelos outros. Isso não tem nada a ver com o Yôga.
O sentido de giro dextrógiro (horário) dos chakras gera força centrífuga, ou seja, de irradiação, propiciando as expressões de paranormalidades que têm afinidades com o Yôga. No Yôga as pessoas se transformam em pólos irradiadores de energia, imunes a fenômenos mediúnicos, escudadas e invulneráveis contra qualquer espécie de comprimento de onda adverso, seja este emitido pela Natureza ou por outras pessoas. É muito importante que se compreenda isso para que quem pratica Yôga não se julgue inferiorizado justamente pela condição e qualidade que lhe protege e impulsiona a sua evolução.
Os espiritualistas são excessivamente sensitivos pois, a todo instante e em quaisquer circunstâncias, dizem que vêem, que ouvem ou sentem alguma coisa. Já a sensibilidade do yôgin exprime-se de maneira bastante diferente. No entanto, muitas vezes, os menos avisados podem imaginar que o outro está mais desenvolvido, o que não é verdadeiro. O outro, em geral, pode estar desequilibrado, por ficar captando aleatoriamente, à revelia e em qualquer situação, vibrações que, na maioria das vezes, não lhe servirão de nada, podendo até mesmo lhe trazer perturbações.
Mas, como saber qual é o sentido horário de giro? Pode parecer simples e dizer-se que é o dos ponteiros de um relógio. Todavia, a questão é que, em geral, as pessoas traduzem esse movimento como observado ou visualizado de dentro do corpo. Mas, a verdade é que o movimento dos chakras é visto por quem nos observa, da mesma maneira como nós olhamos o relógio pelo mostrador e não pelo seu fundo. Faça o seguinte experimento para entender melhor: segure um relógio com ponteiro de segundos colocando-o entre as sombrancelhas e observe no espelho. O sentido de giro do ponteiro é o mesmo que o praticante de Yôga usará para estimular e desenvolver os chakras. O estímulo de chakras (padmas) pode ser conseguido de várias maneiras externas e por uma única interna. Os estímulos externos podem ser a percussão, a fricção, o massageamento, o calor, mantra, magnetização ou mentalização. O único meio interno é despertar a energia ígnea da kundaliní, que atua como se ligasse a ignição de um motor colocando em movimento as rodas do veículo.
No Yôga antigo e autêntico utilizam-se algumas formas externas desde que se faça, necessariamente, um trabalho profundo e progressivo de ativação da kundaliní.




NÁDÍS

Nádís são os canais de circulação da energia vital que compõem uma rede vascular por todo o nosso corpo. Nádí é o feminino de náda, que se traduz por som. Nádí significa rio ou correnteza. Sua relação com a palavra náda é ilustrativa pois a passagem que a energia vital (prána) faz pelos canais provoca uma vibração que é identificada como som pelo aparelho da audição. As principais são: Idá, Pingalá e Sushumná, sendo esta última a mais fundamental de todas pois é através dela que a energia da kundaliní ascenderá. Cada nádí tem um diâmetro específico e, sendo assim, produz uma vibração diferenciada, tal como ocorre em um diapasão de sopro sob contínuo fluxo de ar. Isso é percebido pelo ouvido interno e traduzido como um som distinto para cada nádí dos centros de força. Essa sonoridade é representada por uma letra do alfabeto dêvanágarí. A cada som (mantra) corresponde um símbolo (yantra). Esse som é chamado de bíja-mantra da pétala do chakra. O conjunto de todos esses sons unificados resulta no som específico do chakra, o seu som-semente. Pela emissão dessa sonoridade pelas cordas vocais, os chakras são estimulados através da ressonância.



GRANTHIS


Outro fator de fundamental importância para a compreensão do funcionamento dos chakras e da kundaliní são os granthis. Granthi traduz-se como nó e é o nome de uma espécie de válvula de retenção que existe em 3 chakras específicos: no múládhára (básico), no anáhata (cardíaco) e no ájña (entre as sombrancelhas). É uma válvula de segurança que tem como função impedir a kundaliní de ascender antes do momento certo e, mais que isso, evitar que ela retroceda. Isso protege o praticante pois é necessário que todo o seu sistema biológico esteja preparado e pronto para agüentar o salto e aceleração evolutivos que acontecerão.
As nádís necessitam estar purificadas de detritos que obstruam o fluxo interno da energia kundaliní, a fim de evitar desvios durante o trajeto. A metodologia perfeita do Yôga antigo, ancestral e original consiste mais em purificar e desobstruir os condutos pránicos do que, propriamente, estimular a kundaliní. Essa energia ascenderá natural, segura e espontaneamente quando encontrar os canais perfeitamente limpos pois a kundaliní tem constituição e características ígneas e é da natureza do fogo subir. Entretanto, também é necessário impedir que essa energia retroceda, para preservar o adiantamento já adquirido através dos períodos de prática. Se a kundaliní já subiu e chegou a um centro de força que possua um granthi ou algum outro acima dele, mesmo que pare de praticar, o grau de evolução alcançado pelo praticante (sádháka) não será perdido nem desperdiçado.
Algumas linhas de Yôga utilizam técnicas que objetivam destruir o granthi do múládhára chakra libertando a kundaliní aí latente, fazendo com que esta ascenda de forma agressiva, o que não é nada recomendável. No Yôga Autêntico desfazemos os nós um a um com paciência e com disciplina progressiva para que a kundaliní suba pela sushumná com total segurança.


Alguns praticantes e alguns professores ou líderes parecem não perceber que tudo isso é um assunto técnico com efeitos concretos. Não seguem a metodologia correta, exacerbam os perigos (decorrentes de uma prática incorreta) e acabam confundindo as pessoas. Contudo, até mesmo qualquer tipo de mantra, assim como qualquer outra coisa, se não praticados com responsabilidade e conhecimento podem ocasionar conseqüências perniciosas.
Isso não quer dizer que lidar com esses assuntos seja complicado. É como dirigir numa estrada, atravessar uma rua ou construir uma casa. É necessário, apenas, conhecer as regras e seguí-las sem alterações.
Mantra é vibração com efeitos concretos. Assim, é preciso saber e prestar atenção aos bíja-mantras (sons sementes) dos chakras, não modificá-los e entoá-los de forma adequada. Os sons sementes dos chakras principais são estes:



Bíja-Mantras e Chakras correspondentes




ÔM => Sahásrara

ÔM => Ájña


HAM => Vishuddha

YAM => Anáhata
RAM => Manipura
VAM => SwádhisthánaLAM => Múládhára





Chakras e glândulas correspondentes



Quando os chakras se desenvolvem além de um certo ponto e ultrapassam a sua função fundamental de distribuir a energia para o funcionamento do organismo humano, começam a proporcionar efeitos que transpõem o nível da normalidade.
No Yôga original, de linhagem Tantra-Sámkhya autêntica, os siddhis (capacidades paranormais) são progressivamente ativados e aperfeiçoados pelas técnicas completas de despertamento da grande força da kundaliní, latente em todos os seres humanos na base da coluna vertebral, fazendo-a ascender pela medula espinal e vitalizando os chakras.

Kundaliní é uma energia física. Não é energia espiritual e, portanto, está submetida às leis da Física. A sua característica é neurológica e a sua expressão é sexual. Significa serpentina, a que tem a forma de serpente, pois possui a aparência de uma energia ígnea enroscada 3 vezes e meia no interior do chakra básico próximo à base da coluna vertebral e aos órgãos genitas. Em estado latente parece uma chama congelada e é tão poderosa que a denominam Deusa, Mãe Divina, Shaktí Universal. O ativamento dessa energia é uma questão evolucionária. A humanidade do futuro terá, certamente, a kundaliní ativa e os chakras completa e harmonicamente desenvolvidos, manifestando de maneira comum, as capacidades hoje chamadas paranormais. Mas, é necessário acioná-los e desenvolvê-los hoje para que seja assim no futuro. Então, o receio que se costuma ter é: por ignorância, por tratarem apenas teoricamente o tema, por medo do desconhecido e pelo fato de a kundaliní parecer uma serpente de fogo enroscada nas imediações do períneo. Por este motivo, é preciso ultrapassar essas limitações culturais, esses traumas e esses tabus mais arraigados para que a evolução seja possível.


A meta do Yôga é o samádhi. Samádhi não tem nada a ver com Satori e nem com Nirvana. Samádhi é o estado de hiperconsciência e megalucidez que proporciona o autoconhecimento e o conhecimento do Universo, o ápice da evolução humana. Nenhum samádhi é possível sem kundaliní. O propósito do Yôga é acordar essa energia através de uma metodologia prática que torna possível atingir essa meta. Mas, dependendo da modalidade de Yôga, o método pode ser mais veloz, mais seguro e mais agradável. Por isso, é da maior importância saber o que se está fazendo e com total clareza. O Yôga legítimo é uma forma eficiente e rápida (mas sem exagero) de despertamento da energia. É totalmente seguro e muito agradável por ser, essencialmente, de estirpe comportamental tântrica branca (não no sentido racial), incentivando a responsabilidade e a disciplina às normas de segurança milenares. Primeiro ele purifica o organismo com uma alimentação biológica inteligente, sensata, variada, saborosa e sem paranóias. Depois executa um processo de reeducação emocional e mental. Aumenta a flexibilidade da coluna vertebral, rejuvenescendo-a para poder liberar a energia. Trabalha com pránáyámas específicos e com bandhas que são constrações de plexos e glândulas, para inflamar, acionar o sistema e impulsionar essa energia para cima, visualizando e gerando o arquétipo mental do objetivo.


Os métodos que tentam despertar a kundaliní de uma forma agressiva, sem preparações progressivas e sem levarem em consideração atitudes básicas em seus hábitos de desobstrução das nádís podem produzir a denominada fuga energética pela base da coluna vertebral.
Por este motivo, para quem vai praticar e para quem vai se aprofundar no método do Yôga é fundamental saber que a palavra kundaliní é do gênero feminino devendo o í final ser sempre acentuado e, portanto, longo (vide postagem: Sânscrito - algumas regras básicas, neste blog) e com a sílaba tônica sendo a primeira (KUN-daliní). Está errado considerar a palavra no masculino e com a tônica na penúltima sílaba (Lí) = o Kundani. Muitos dirão (como é de costume) que isso não tem importância e que tanto faz. Acontece que essa informação é imprescindível quando deixamos de ser meros teóricos e tornamo-nos praticantes de Yôga pois, o gênero feminino indica polaridade negativa e o gênero masculino polaridade positiva. Ora, se fosse o Kundani (no masculino) teria polaridade positiva o que exigiriam procedimentos e atitudes opostas para deflagrar essa energia. Invertendo-se o conceito inverte-se a polaridade e, no momento de se aplicar a técnica correta, ao invés de se fazer o poder da kundaliní subir vai, inevitavelmente, fazê-lo descer. Os de linha espiritualista defendem que essa energia é espiritual e, assim, por ser algo subjetivo e intangível não é possivel direcioná-la ou controlá-la. Todavia, no Yôga antigo, original e de linhagem Tantra-Sámkhya, sabe-se (e pode-se provar) que a kundaliní é uma energia física e não espiritual como declaram os professores e líderes de linha espiritualista. Sendo energia física ela está subordinada às leis da Física onde os pólos iguais se repelem. Logo, para fazê-la ascender deve-se, entre outras técnicas, pressioná-la com uma parte do corpo que possua polaridade igual. Um dos ásanas (posições físicas e psicofísicas do Yôga) que atendem a essa necessidade é o Siddhásana. Se alguém a chama de o kundalíni (no masculino) mesmo conhecendo a maneira de ativá-la e sabendo que é uma energia subordinada às leis da Física, cometerá o equívoco de colocar o pólo errado em contato com o períneo, não gerando força de repulsão e sim de atração puxando a kundaliní para baixo.




OBS: É importante, neste ponto, esclarecer e não confundir espiritualismo e espiritualistas com Espiritualidade. Espiritualidade é um patrimônio do ser humano e lhe é inerente. Já espiritualismo é a institucionalização da Espiritualidade, confrontando espírito e matéria colocando-os como coisas oponentes. Em nome disso, espiritualistas muitas vezes cometeram e ainda comentem muitos equívocos, provocando inúmeros delírios, devaneios e especulações que geram confrontos, paranóias, fanatismos e dependências. O Yôga ancestral, autêntico e sem distorções desenvolve a espiritualidade do ser humano, mas é de essência naturalista (Tantra-Sámkhya) e não de caráter espiritualista ou místico (Brahmácharya-Vêdanta).

Há um método de aprendizado que se realmente for seguido com regularidade acarretará num processo evolutivo bastante acelerado. Conhecendo-se o significado do termo egrégora e das leis que regulam essa força, saberemos que é necessário excluir a prática simultânea de várias metodologias e sistemas pois os chakras seriam estimulados a girar em sentidos diversos e em comprimentos de ondas diferenciados. O Ády Ashtánga Sádhana (prática fundamental em 8 partes) é um magnífico início para o desenvolvimento rápido porém progressivo, seguro e eficiente do sistema energético que possuímos e que nos conduzirá, com certeza, a estados de consciência cada vez mais expandidos e próximos do ponto culminante da evolução humana.

A sabedoria sobre o real sentido de Egrégora também leva-nos a respeitar o trabalho alheio, mostrando o grau de evolução no qual estamos inseridos, uma vez que, esse respeito pelo trabalho do próximo é um sintoma básico de espiritualidade.